segunda-feira, 13 de junho de 2016

Como eu conheci Thiago - parte 1

Hoje eu quero falar sobre o meu namorado. Pra mim ainda é um pouco bizarro falar em voz alta essas palavras, "meu namorado". Eu sofri tanto durante a minha vida nesse quesito "amor".

Eu sempre fui a dona do dedo mais podre do universo. Não porque os caras que eu me apaixonasse fossem canalhas (alguns até eram), mas sim porque eles nunca me davam bola. Eu conhecia um cara, me apaixonava perdidamente por ele e, não importava o que eu fizesse, eles nunca olhavam pra mim. Ou então me viam como a amiguinha bacana do colégio, da faculdade, do trabalho... E isso fez de mim uma pessoa dura. Eu me comparava a uma fortaleza impenetrável, sabe? Porque ao mesmo tempo que eu me apaixonava, eu não me permitia tentar me envolver. Acho que em 25 anos de vida, eu só "me declarei" por assim dizer pra dois caras.

O primeiro foi na época da faculdade, um calouro que eu adorava e que na minha cabeça, me dava super mole. Não tive coragem pra falar o quanto gostava dele e escrevi uma carta. Tomei coragem, entreguei a carta em uma tarde na biblioteca e ele a levou pra casa. E demorou três dias pra responder. Na verdade, só respondeu porque eu me irritei e mandei uma mensagem pra ele perguntando se ele não ia me dar uma resposta. Evidentemente, ele não quis nada comigo.

O segundo... bem, eu vou precisar de muitas postagens para falar sobre o segundo, que foi, sem dúvidas, a ruína da minha vida. Mas isso fica pra outro dia, como eu já disse, hoje eu quero falar sobre o meu namorado, o Felipe.

Ai o Thiago... tenho tanta coisa pra falar sobre ele, mas ao mesmo tempo, não sei quais palavras usar. Nos conhecemos na academia de onde trabalhamos. Na verdade, EU o conheci na academia. Ele diz que já tinha me visto outras vezes, mas eu juro que não imaginava a existência dele até aquele bendito Agosto de 2015.

Estávamos nas esteiras, correndo. Ele começou com um papinho besta que até hoje eu tenho uma certa dificuldade pra dizer o que era, só sei que envolvia água (e ele querendo beber minha água). Ele nega, diz que estava perguntando o que eu tinha na minha água, porque emagreci muito rápido (ele até hoje não admite que estava era me dando bola, isso sim. Mas segue o fluxo...). Eu achei o papo estranho, neguei a água pra ele (nota ao leitor: depois eu aprendi que não se nega água à ninguém, to tentando evoluir nessa vida, meu povo) e continuei malhando como se nada tivesse acontecido.

Alguns dias depois, eis que eu estou atendendo meus pacientes e, quando chamo o paciente Thiago eis que ele aparece. Nós dois rimos da coincidência (pior que foi coincidência mesmo, onde eu trabalho, se marca consulta com a especialidade, não com o médico) e eu o atendi. Um problema antigo no joelho o levou à consulta e, ao pedir para que tirasse os sapatos e se deitasse na maca para eu examiná-lo, aconteceu o que foi a pedra fundamental para que o nosso relacionamento se iniciasse: ele estava com chulé. Juro que até hoje não lembro dele estar com chulé, mas ele ficou tão encabulado com a situação que, dias após, me parou nos corredores do hospital para dizer que "já tinha resolvido o problema do chulé" e que eu não precisava mais me incomodar. Daí por diante ele ficou marcado na minha cabeça... Era sempre o paciente do chulé.

A partir daí, começamos a nos encontrar sempre no hospital. Ele sempre com um sorriso... Gente, como descrever o sorriso do meu Thiago? É a sua marca registrada! Quando ele sorri, parece que as estrelas se alinharam para iluminar a sala, sabe? Dá até um calorzinho no coração, um aconchego gostoso... E eu sempre triste, por causa daquele carinha que eu citei lá em cima, como a ruína da minha vida. Apesar da existência desse dito cujo, ver o Thiago me causava uma alegria tão grande! Ele me trazia paz, me distraía do meu sofrimento. Ele começou a me chamar para sair quando nos encontrávamos na academia, sempre querendo me levar para "um rock" como ele dizia, ou para um cineminha. E eu sempre negando, por medo de me jogar no desconhecido, por medo de abrir a guarda para um cara que eu não conhecia, era de outro estado, poderia ser mais um dos canalhas que eu conheci que só queriam me enrolar... E ele sempre insistindo, insistindo...

Nesse meio tempo, eu fique muito mal em relação àquele cara. E teve um dia no plantão que eu parei em um canto e chorei bastante por causa dele. Quando tomei coragem para sair e ir tomar um ar, adivinha quem foi a primeira pessoa que eu encontrei? Ele me viu, abriu aquele sorriso e a primeira ação que eu tive foi abraçá-lo bem apertado. Pausa para que o leitor possa entender a gravidade da situação: somos militares. Militares não podem demonstrar afeto. Se isso não fosse suficiente, ele é meu subordinado, com uma diferença bem grande de graduação. E ainda assim, eu quis abraçá-lo na frente do hospital inteiro. E foi a melhor escolha que eu fiz na minha vida. Que abraço gostoso! Ele poderia abraçar o mundo que ia caber ali, entre aqueles braços. Era o conforto que eu precisava naquele momento, e ele nem imaginava que era por causa de um outro cara.

O tempo foi passando, a gente sempre se encontrando... Eu percebi que as coisas estavam tomando outro rumo entre a gente em duas situações: na primeira, ele segurou meus dedos e fez um carinho discreto para me pedir que visse o resultado de um exame para ele. Eu me senti que nem uma adolescente, toda sorridente, encabulada só por causa de um carinho bobo. E a segunda, no dia que ele foi pedir para que eu visse o exame de um amigo dele que estava com um problema ortopédico. Ele chegou todo suado, com trajes civis, correndo porque estava atrasado para a faculdade, só para me entregar o exame e ir embora. Eu perguntei se ele já estava indo, ele confirmou e eu pedi pra que ele não sumisse. Isso porque eu começava a sentir a falta dele, tanto que nos dias em que estava de plantão, ficava perambulando pelo hospital para encontrá-lo e bater uns cinco minutinhos de papo com ele.

O resto da história, eu conto no próximo post ;)